Data: 06/08/2021 Tempo: 04min de leitura Categoria: Cadeia Produtiva Visualizações: 311 visualizações
Por: Nathália Bernardinetti

Nada mais conveniente do que uma comemoração que envolve cerveja acontecer numa sexta-feira. A data foi inventada no ano de 2007, nos EUA, e passou a ser celebrada em diversos países. Mas os registros de fabricação de cervejas localizam-se em outras coordenadas – e muito mais distante no tempo – mais especificamente na região do Vale Fértil, na Mesopotâmia, algo entre 6mil e 4mil anos atrás.

Há fontes que indicam que a cerveja aportou por aqui no século XVII, no período do Brasil colonial, durante o governo de Maurício de Nassau em Recife, mas teve um desenvolvimento tímido e quase desaparecimento. Outras indicam que foi após a fuga da família real de Portugal, chegando aqui em 1808, que as cervejas entraram – ou regressaram – ao país. O certo é que a expansão do setor em solo nacional teve um rompante na última década, entre 2010 e 2020, aumentando a oferta de cervejarias, rótulos e estilos nas prateleiras e estabelecimentos alimentícios.

Mesmo em um cenário de pandemia, o setor teve crescimento no último ano. O Anuário da Cerveja 2020, documento elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), apresenta os dados relativos ao registro de estabelecimentos (cervejarias) e produtos para cerveja no cenário nacional.

A tendência de crescimento do setor se manteve em 2020, mesmo com as condições impostas pela pandemia. Apenas em 2020 foram registradas 204 novas cervejarias, totalizando 1383 registros no país (gráfico 1) – 30 cancelaram os seus registros, representando um aumento de 174 cervejarias e 14,4% em relação ao ano anterior. De acordo com o documento, o crescimento ficou abaixo do esperado para o período (a projeção menos otimista era de crescimento de 19,6%).

Entre as unidades da federação, Santa Catarina figura na quarta posição em número de registros, ao todo são 175 cervejarias catarinenses registradas no MAPA (gráfico 2), com um crescimento médio anual de 31,3% (gráfico 3). É o primeiro ano em que todos os estados se fazem presentes em número de registro, com a abertura da primeira cervejaria registrada do Acre. As regiões Sul e Sudeste concentram cerca de 85,6% de cervejarias do país. De acordo com o coordenador-geral de Vinhos e Bebidas do MAPA, Carlos Vitor Müller, “na região Sul há uma grande concentração de imigração de povos de origem europeia, então essas cidades têm uma propensão maior a ter atividades relacionadas à produção dessas bebidas”.

O Anuário ainda aponta destaque para o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, no quesito distruibuição do número de cervejarias por município, além da região da Grande Florianópolis. O estado é também o primeiro em relação a densidade cervejeira, ou seja, o número de habitantes por cervejarias, são 41.443 catarinenses por cervejaria registrada.

Registro de Produtos

O período apresentou queda no registro de novos produtos para cerveja, algo que não acontecia desde 2008. EM 2020 foram registrados 8459 produtos, contra 9950 em 2019. Até 2020 o MAPA contabiliza um total de 33.963 produtos para cerveja registrados.

Vale reforçar que as Cervejarias Ciganas – aquelas que não possuem estrutura própria de fabricação e elaboram seus produtos em estabelecimentos de terceiros, não são computados no Anuário da Cerveja do MAPA.

Crescimento do Setor

O crescimento do setor, mesmo diante de um cenário incerto como o da pandemia, tem aumentado o interesse pela produção nacional de lúpulo e cevada, ingredientes essenciais para a fabricação da cerveja. Hoje, quase 100% do lúpulo utilizado no Brasil é importado. Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), mostram que o país importou o equivalente a 3.243 mil toneladas de lúpulo, algo em torno de US$57 milhões. Os países que lideram a produção são EUA, Etiópia e Alemanha, sendo que apenas deste o Brasil importou cerca de 71% de lúpulo em 2018.

Em Lages, região serrana do estado, há o projeto Fazenda de Lúpulo Santa Catarina, onde são desenvolvidas pesquisas e incentivos aos agricultores para aderirem ao projeto.

Valor Gastronômico

A cadeia da gastronomia, incluindo o consumidor e a consumidora finais, se beneficiam do crescimento do mercado. A oferta conta com uma variedade de estilos e fórmulas elaboradas por cada uma das cervejarias. São opções variadas para harmonização de pratos, ou mesmo para utilização na elaboração das receitas. Há cervejarias produzindo alguns rótulos de acordo com a sazonalidade local, principalmente aquelas que utilizam de frutas e frutos na formulação – o caso do estilo Catharina Sour.

Sobre esse estilo: é o primeiro e único estilo brasileiro de cerveja reconhecido internacionalmente. O estilo nasceu em solo catarinense, fruto das experimentações das cervejarias locais relacionando as receitas tradicionais com receitas inovadoras, adicionando em suas formulações frutas, frutos e flores da biodiversidade catarinense, respeitando a sazonalidade na produção. A Catharina Sour é uma cerveja leve e refrescante, com baixo amargor, corpo leve e boa carbonatação, a graduação alcóolica fica entre 4% a 5,5% e 2 a 8 de IBU.

Rotas Cervejeiras

Santa Catarina contará, até o final deste ano, com três rotas cervejeiras. Hoje temos o Caminho Cervejeiro da Grande Florianópolis, que compreende seis municípios da região florianopolitana, com mais de 40 tipos de cervejas. Ao Norte do estado, compreendendo os municípios de Blumenau (Capital Nacional da Cerveja), Busque, Gaspar, Ibirama, Pomerode e Timbó, foi criada, em 2015 com consultoria do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de Santa Catarina (Senac SC), a Rota Vale da Cerveja, que já conta com 13 associados. A novidade é a Rota Caminhos Oeste Cervejeiro, também com consultoria do Senac SC, a iniciativa do Sindicato do Comércio da Região de Chapecó deverá ser lançada ainda este ano.

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