Data: 13/04/2021 Tempo: 04min de leitura Categoria: Cadeia Produtiva Visualizações: 472 visualizações
Por: Nathália Bernardinetti

Iniciada a safra de pinhão em Santa Catarina, a expectativa é de aumento da produção em comparação ao ano passado.

O pinhão, semente da pinha, fruto da araucária, é aguardado todos os anos por produtores, cozinheiras, cozinheiros e consumidores finais. A safra, iniciada em abril, segue até meados de agosto, e tem a maior concentração de comercialização nos meses de junho e julho. 

A área de maior ocorrência e produção da araucária – árvore nativa quase que totalmente devastada do território original – é nos estados do sul do país, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, respectivamente. Também pode ser encontrada em alguns pontos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Normalmente a araucária leva em torno de 15 anos para começar a produzir pinhão, podendo chegar a 40 pinhas por ano, num ciclo de produção que pode durar até 200 anos. Técnicas de enxertia desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) conseguiram diminuir para 6 a 8 anos o tempo para as araucárias começarem a produzir pinhão, a técnica é conhecida como “pinhão precoce”.

A expectativa para 2021, de acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri),  é que a safra catarinense colha entre 40% e 60% a mais de pinhão do que no ano passado. Em 2020, ainda de acordo com a Epagri, a safra representou apenas 10% de uma colheita usual de pinhão em Santa Catarina. 

Versatilidade na Cozinha

Versátil, o pinhão pode ser utilizado para as mais diversas produções culinárias, na panificação, em sobremesas, petiscos e pratos principais ou como produto processado, por exemplo, farinha de pinhão ou mesmo na composição de cervejas. Para consumo, o pinhão precisa passar por algum método de cocção – chapeado, na brasa, cozido, triturado, moído. 

É ele quem integra os pratos mais clássicos do inverno no sul do país – paçoca de pinhão e entrevero –  mas também não deixa de ser um insumo muito apreciado inteiro. Na serra, o mais tradicional é a sapecada. O método, herança dos povos indígenas, consiste em “lançar” as sementes da pinha sobre a fogueira produzida com as grimpas da araucária – as folhas secas da árvore. Já na capital catarinense, em situação de normalidade sanitária, é comum encontrarmos pontos de venda de pinhão cozido, quentinho, comercializado em saquinhos plásticos nas ruas da parte central da cidade, sobretudo nos arredores dos terminais viários e mercado público.

Regionalidades que geram Renda

Em 2020, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de Santa Catarina (Senac SC), através do Observatório da Gastronomia, lançou o projeto “Regionalidades que geram renda”, uma série de vídeos com ingredientes regionais e sazonais, para quem deseja empreender e complementar a renda ou simplesmente aprimorar as técnicas na cozinha. O segundo episódio contou com o pinhão como ingrediente regional, em uma receita de Brigadeiro de Pinhão.

Além da comercialização do produto in natura, a renda de alguns produtores também vem do beneficiamento do pinhão, agregando valor à semente. Entre os anos de 2013 e 2015, municípios da serra catarinense participaram do projeto bilateral “Promoção e fortalecimento da cadeia produtiva do pinhão na Serra Catarinense”, que objetivava promover e fortalecer a cadeia produtiva através de ações de conservação, manejo e uso sustentável do pinhão, integrando ações de pesquisa, assessoria técnica e capacitação. Hoje, esses produtos como, por exemplo, pinhão moído, congelado, descascados, farinha de pinhão, entre outros, são comercializados com restaurantes, pousadas e consumidor final.

Para conhecer mais: O pinhão também integra a Arca do Gosto e as Fortalezas do Movimento Slow Food. Em síntese, esses programas objetivam preservar, conservar e resgatar espécies ameaçadas de extinção, saberes e fazeres, paisagens rurais e ecossistemas em risco. Em 2018, produziram um curta documental  contando um pouco da história da família Oliveira e sua relação com o pinhão.

Para ir Além:

Indicamos o programa Iniciativa Araucária, da Embrapa, que traz um vasto conteúdo sobre o pinhão, desde informações sobre a muda da araucária, manejo de plantio, informações nutricionais, um livro de receitas e uma série de vídeos com curiosidades, legislação, políticas públicas e potencialidades do pinhão.

Fontes:
Epagri – Safra pinhão 2021 
Funbio – Projeto “Promoção e Fortalecimento da Cadeia Produtiva do Pinhão na Serra Catarinense” 
Observatório da Gastronomia e Senac SC – Regionalidades que geram Renda
Slow Food – Fortalezas Slow Food

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