Data: 03/09/2021 Tempo: 03min de leitura Categoria: Cidade Criativa Visualizações: 307 visualizações
Por: com informações de Cidasc

O queijo colonial produzido na agroindústria Kmilk Laticínios, de Salto Veloso, conquistou o 15º Selo Arte concedido em Santa Catarina, no dia 20 de agosto . O produto concilia a tradição centenária da família de imigrantes e as boas práticas agropecuárias e de fabricação implementadas por Maicon Luiz Legnani e a esposa Karina Buffon Legnani. 

Crédito: Cidasc

A propriedade produz cerca de 500 litros de leite por dia, destinando a maior parte para a fabricação do queijo colonial e queijo colonial temperado. O manejo do gado leiteiro é feito pelos pais de Maicon e o casal buscou qualificar-se para desenvolver a agroindústria. Karina Legnani fala com orgulho do trabalho feito em família: “Foi suado, foram cinco anos estudando Engenharia de Alimentos e mais um ano para nos adaptarmos à legislação”, conta ela.  

Crédito: Cidasc

Maicon Legnani ressalta ainda que o processo para obtenção do Selo Arte os colocou em contato com a história dos ancestrais e suas técnicas de produção do queijo. Tudo isto tornou ainda mais gratificante receber o reconhecimento para o produto. 

O selo foi criado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para valorizar produtos artesanais  que cumpram requisitos sanitários, permitindo que sejam comercializados em todo Brasil. A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), através do Departamento Estadual de Inspeção (DEINP), é quem concede este reconhecimento aos produtores catarinenses e a Kmilk Laticinios foi a primeira agroindústria da região de Videira a conquistá-lo.

Tradição familiar

Uma das características mais valorizadas do queijo colonial é o fato de não derreter  em altas temperaturas, o que é ideal para o preparo do queijo brustolado, receita típica italiana.  A técnica de produção deste produto já estava na família de Maicon Luiz Legnani há décadas. Os imigrantes produziam o queijo para aproveitar toda a ordenha, numa época em que não existiam recursos para refrigeração do leite.

Crédito: IG @kmilk_laticinios

Pesquisando sobre a história da família, Maicon descobriu  muitos detalhes sobre o processo original de fabricação. A produção era feita em fogão a lenha feito de tijolos e com chapa de ferro, dentro de tachos de alumínio ou esmalte e mexido com o “pau da polenta”. Já para fazer a coagulação do leite, era usada a coalheira (pedaço de víscera de animais) de bovinos, porcos e de galinhas. Toda a aferição do processo de aquecimento era baseada no contato manual (dedo no leite). A enformagem do queijo era feito utilizando toalhinhas de pano volta ao mundo e em formas de madeiras (queijos quadrados) ou em canos de PVC grande (queijos redondos) onde a prensagem era feita com pedra de rio que ficava por várias horas em cima da tampa da forma, pedra que a família guarda até os dias de hoje. Quando retirado das formas, os queijos eram colocados em tábuas de pinheiro no porão da casa para cura. 

Os processos foram aprimorados para atender às normas sanitárias e aprimorar a qualidade do produto, mas o aspecto artesanal ainda prevalece na agroindústria Kmilk. A caminhada de Maicon e Karina até o Selo Arte iniciou quando eles registraram a empresa no Serviço de Inspeção Municipal (SIM) de Salto Veloso, pois um dos requisitos é estar registrado anteriormente no SIM ou no Serviço de Inspeção Estadual (SIE). O empreendimento do casal agora está apto a buscar os consumidores de todo país, o que deve trazer incremento na produção e na renda da família.

Com informações de Cidasc

Imagem da capa: Alexey Klen por Pixabay 

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